Sete dias, sete pratos

Quando alguém que segues no IG te convida para escrever receitas para o seu blog, o Slower, sabes que tem tudo para correr bem. Sobretudo na semana em que ficas sem computador e não segues receitas em nenhuma outra. Obrigada Filipa, pelo convite, as palavras e toda a inspiração que sempre nos dás sobre uma vida mais tranquila, mais sustentável e mais real. Para ler, e digerir, devagar.

Os meus dias são cheios. Acordar cedo para praticar Yoga e meditar, preparar um mega pequeno-almoço que não envergonha nenhum sapo, começar a ler e-mails ainda em casa e quase queimar o céu da boca com o café a ferver. Já com o batom meio posto, sair para o co-work, sempre mais tarde que o esperado, e encaixar sei-lá-mais-quantas-coisas aí no meio, incluindo as aulas de Yoga, os posts da Pause and Flow e respirar bem. Sim, respirar. Lá em casa, e lá na firma, somo só uma. Isso facilita muita coisa e complica tanta outra: ir às compras, acartar o almoço na mala junto do computador, levar snacks, preparar as refeições e, claro, comê-las com gosto e carinho, nunca como ser fosse um castigo. Vou contar-vos um segredo. O nosso corpo sente não apenas o que pomos lá dentro mas como o pomos, onde, a que horas e com que emoções. Por isso, sozinho ou acompanhado, recomendo sempre uma dose extra de amor nas suas refeições, por mais simples ou elaboradas que sejam.

Falemos do coisas boas, então. Embora seja publicitária há mais de 10 anos, muita gente associa-me à “menina do Yoga”, com todos e mais um clichés que isso trás. Sim, a minha alimentação é, como dizem os estrangeiros – e os ex-emigras como eu, plant-based, mas sempre que posso, me apetece ou não tenho opção, como um peixinho (cavala em lata incluída), ovos (Matinados, allez) e lacticínios (kefir, por favor). Para isso, tento comprar ingredientes locais, da estação e em bancas “do bem”, isto é, pequenos produtores nacionais. Tal como a minha querida Dona Alice, o meu anjinho do mercado da Ribeira.

Bio? Ovos sim bananas não. Peixe sustentável? Só se os pais da dourada souberem reciclar. Pingo Doce e Lidl? Claro. Suplementos? Espirulina, minha amiga deliciosa, mas nada como incluir frutos secos, sementes, gengibre, canela, todas as cores e todos os verdes. Muitos. Quantidades ridículas, diria a minha avó se visse.

Fiquem com as minhas modestas sugestões, inspiradas nas cores das estações e estórias reais do dia-a-dia. Ideais para quem gosta de comer colorido, bonito e nutritivo.

DOMINGO, o verdadeiro primeiro dia da semana/ Travessas de coisas boas

Já que vamos ligar o forno, vamos maximiza-lo, verdade? Travessa grande com todos os legumes da estação cortados aos bocados, sal e pimenta q.b e óleo de coco ou azeite virgem extra. Favoritos: beterraba, abóbora, batata doce com batata, courgette, cenoura, milho, brócolos, cogumelos inteiros. Travessas mais pequenas para tostar amêndoas e mix de sementes (sésamo, abobora, girassol). Travessinha com tempeh cortado aos cubos, grãos de soja fermentados. Delicioso. Cortar tudo em cubos ou fatias e tapar com papel prata para ficar ainda mais delicioso. Tempos diferentes, entre 15-40, ir olhando.

Depois é só escolher os legumes favoritos, por exemplo, brócolos e cogumelos. Colocar numa taça por cima de espinafres temperados com vinagre balsâmico, azeite e orégãos, juntar umas colheres de cereais (arroz integral, selvagem, quinoa, búlgaro, couscous) e ovos escalfados. Terminar com as sementes e ¼ de maçã em lascas finas.

SEGUNDA/ Sopa consistente com torradas deliciosas

Sopa, feita ao domingo ao som de Nirvana e o calor do forno, é fundamental lá em casa. A base é sempre a mesma: 4 cenouras grandes, 1 batata doce pequena, 1 courgette, 1 nabo médio e outra coisa qualquer, geralmente mais proteica como grão, feijão ou lentilhas. Salva-me sempre, especialmente às segundas depois de dar aulas de Yoga dinâmico. Aqueço duas conchas grandes e acrescento rúcula, sementes e até peixe em lata ou tempeh, sim. Acompanho com torradas de pão escuro, geralmente de centeio (adoro o da Tartine), com ovo cozido mole, carpaccio de beterraba com nozes, abacate esmagado cheio de limão, ou, esperem, mel, banana e canela.

TERÇA/ Saladona arco-irís de quinoa

Uma excelente combinação para a marmita de almoço é esta salada. As saladas querem-se grandes, com diferentes texturas e sabores. Numa base de rúcula, acrescentam-se umas colheres de quinoa, milho, abóbora e a beterraba. Juntar o tempeh e temperar a gosto: mel, limão, mostarda e azeite fazem uma boa combinação. Terminar com sementes, e, quiças uns cubinhos de queijo feta. Não esquecer os orégãos. P.S: Terça-feira é dia de mercado, altura para comprar mais legumes e fruta.

QUARTA/ Super-poderoso batido verde com todos

Este é meu pequeno-almoço do costume, o qual substituiu o iogurte liquido e os cereais processados há uns anos. Se não estão acostumados a verdes de manhã, vão com calma. Como em tudo, testando, vendo e aprendendo. Esta receita é simples e económica. 1 banana madura, ½ maçã com casca, 1 copo de espinafres, 1 fatia de gengibre fresco, ½ colher de café de canela e 1 colher de café de espirulina (opcional). Colocar tudo no liquidificador juntando 1/3 de copo de leite vegetal. Colocar na taça e decorar: granola caseira, kefir a olho, pólen de abelhas (o salvador da febre dos fenos), sementes de linhaça moídas, aveia demolhada durante a noite, morangos, gojis. A criatividade manda.

QUINTA/ Arroz à preguiçosa

Dia da preguiça. Olhar para o frigorifico e ver se ainda há alguma coisa. No entretanto, colocar rúcula e espinafres numa taça -verdade, sempre que posso, como em taças bonitas- juntar arroz selvagem e uma lata de atum em azeite virgem extra, previamente aquecidos na frigideira com ervinhas e carinho. Juntar tomate cereja cortado ao meio, ervilhas acabadas de cozer (usar a água para regar as plantas para não desperdiçar) e temperar a gosto, com os suspeitos do costume e pimenta preta.

SEXTA/ Prato do dia ou o do costume

Sexta é dia de ir comer fora, pelo menos ao almoço ou jantar. Como trabalho a partir do Cais-do-Sodré, ao almoço a minha escolha vai muitas vezes para as tartes do Água no Bico, cheias de legumes frescos (há uma vegan, uma sem glúten com ovos e uma ´normal´, com carne ou peixe), todas acompanhadas de mega salada com um bom equilíbrio entre crus e cozinhados. Tudo com sumo do dia e café por apenas 6,5 euros. Não digam a ninguém. Para jantar, qualquer coisa que não costume ter em casa: sushi, pokés e pizza estão no top 3.

SÁBADO/ Panquecas sem glúten nem açúcar mas cheias de sabor

Sábado (e domingo) é dia de brunch-all-day-long. Para além dos clássicos batidos e torradas com ovos que, honestamente já não se aguenta, até porque os como durante toda a semana, nada como panquecas. Simples e feias, que o empratamento tem demasiada importância nos dias de hoje. Para cada dose colocar 1 banana super madura (nada de deitar fora as partes pretas), 4 colheres de flocos de aveia triturados (ou farinha de aveia), 1 ovo (ou uma colher de linhaça moída hidratada para opção vegan) e ½ chávena de leite vegetal, por exemplo de arroz ou aveia. Misturar tudo com o garfo até ficar uma pasta. Fazer uma concha de cada vez na frigideira bem quente, com uma colher de óleo de coco. Atenção que na primeira vez vai colar. Colocar mais fruta por cima e manteiga de amendoim ou mel para disfarçar. Ah e canela. Sempre.

Tenham uma boa semana, bom apetite e melhor namaste.~

X sara

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